Um medicamento atua através de processos químicos ao interagir com moléculas reguladoras dos processos fisiológicos no organismo. Essa interação pode resultar na inibição de certas substâncias ou na exacerbação de sua excreção. As substâncias-alvo frequentemente incluem neurotransmissores, citocinas inflamatórias, fatores de crescimento, segundos mensageiros, hormônios, entre outras moléculas críticas para o funcionamento do corpo.
Desafios de Absorção e Distribuição para a atuação do medicamento
Para ser eficaz, um medicamento precisa atravessar diversas barreiras dentro do corpo humano. Primeiramente, ele enfrenta as enzimas presentes na região bucal, que começam a quebrar o princípio ativo. Em seguida, o medicamento deve resistir ao ambiente ácido do estômago, onde muitas substâncias podem ser degradadas. Além disso, ele enfrenta as enzimas do complexo sistema entérico-hepático, que podem modificar quimicamente o medicamento antes que ele alcance a circulação sistêmica. Após sobreviver a essas enzimas e variações de acidez, o princípio ativo do medicamento precisa se difundir no sistema circulatório para alcançar o alvo terapêutico de maneira eficaz.
Interação com Alvos Terapêuticos
Os alvos terapêuticos de um medicamento são geralmente proteínas ou glicoproteínas, que desempenham papéis fundamentais na regulação de muitos processos fisiológicos. Para que ocorra uma interação eficaz entre o princípio ativo e o alvo terapêutico, é essencial que ambos possuam afinidade conformacional, ou seja, suas formas e estruturas devem ser compatíveis para se ligarem de maneira eficiente. Assim, cientistas realizam estudos extensivos para coletar informações químicas necessárias para definir essa afinidade entre o alvo e o princípio ativo. Esses estudos incluem técnicas avançadas de biologia molecular e bioquímica, bem como modelagem computacional para prever como as moléculas interagirão.
Além disso, a distribuição do medicamento no organismo não é uniforme e depende de vários fatores, como a solubilidade do princípio ativo, a permeabilidade das membranas celulares e a presença de transportadores específicos que facilitam ou impedem o acesso do medicamento aos tecidos-alvo. Os pesquisadores também devem considerar a possibilidade de interações com outros medicamentos que o paciente possa estar tomando, pois essas interações podem afetar a eficácia e a segurança do tratamento.
Portanto, o desenvolvimento de um medicamento eficaz e seguro envolve um entendimento profundo da farmacocinética e da farmacodinâmica, além de uma abordagem integrada que combina química, biologia e tecnologia. Somente com essa abordagem multidisciplinar é possível garantir que o medicamento alcance seu alvo terapêutico, exerça o efeito desejado e seja eliminado do organismo sem causar danos.
Para maiores informações, consulte:
- KATZUNG, Bertram; TREVOR, Anthony. Farmacologia básica e clínica. São Paulo: ArtMed, 2017.